"As palavras entre aspas serão traduzidas no final do texto."
Estava eu levando para o centro da cidade a minha namorada com sua prima e duas amigas (que vieram a Ilhéus fazer vestibular) para comprar os tão famosos chocolates de Ilhéus quando resolvi parar o carro ao lado do meio fio. Estacionei na maior tranquilidade (após fazer uma sequência de zig-zags até que o carro ficou no lugar certo) e ao descer do carro um "flanelista" chegou na maior das ignorâncias dizendo: CHEGA O CARRO MAIS PRA FRENTE AÍ, "BARÃO"! (sendo que essas letras maiúsculas denotam o alto tom da voz do meliante).
Eu com toda a paciência que me é peculiar (sem ironia!) falei ao mesmo: aí tá bom!
Ele respondeu: CHEGA MAIS PRA FRENTE, "BARÃO"! QUEM MANDA AQUI SOU EU! "AGORA"... MOLEQUE TIRANDO ONDA. "Ó PÁ ISSO"... (falando com três pessoas encostadas num carro próximo).
Tornei a dizer que lá estava bom e o dito cujo com toda sua falta de simpatia do mundo veio dizendo: MULEQUE TIRANDO ONDA... VAI MAIS PRA FRENTE! SE QUISER CHAMA O GUARDA! EU TRABALHO AQUI HÁ MAIS DE VINTE ANOS E VOCÊ VEM QUERENDO MANDAR AQUI.
Minha namorada pediu para que eu entrasse no carro e fosse embora, pois ele poderia arranhar o carro dela...
Nas minhas "CNTP's", eu teria "curvado" sem arrumar confusão, mas por ironia do destino, enquanto me caminhava para a direção da Catedral, um policial atravessa a rua na minha frente. Parei o carro, buzinei e chamei-o, ralatando o acontecido. O guarda pediu para que eu estacionasse o carro e fosse lá com ele "cobrar comédia" (essa gíria baiana fica por minha conta, o guarda não disse isso).
Pedi para que as meninas ficassem pra trás enquanto eu iria lá com o policial, o que foi desobedecido de prontidão, pois meu estado de alteração e inddignação com aquela "filhadaputisse" era visível.
Assim que o meliante me viu ao lado do policial, seus batimentos cardíacos de fizeram ouvir à distância (alopração do cacete... essa foi digna do Walter). Assim que ele me olhou, falei assim: e agora? Tá aqui o policial... você não mandou chamar o guarda!? Tá aqui ele agora... pode falar que você manda aqui!
O cidadão (sim ou não?) ficou branco! No que respondeu: não, seu guarda, a gente é responsável por manter a ordem aqui no trânsito (obs.: essa não é a função do guarda? Putz... será que o meliante era policial também? Agora já era!).
O policial disse a ele que ele era errado de estar trabalhando no "flanelismo" (eu que inventei essa palavra, o guarda não falou isso também) e que no meio dele tinha muito bandido.
Ele disse que era pai de família, que tinha família pra cuidar, no que eu em toda minha raiva daquela situação respondi: EU TAMBÉM TENHO FAMÍLIA, TRABALHO E AJUDO NAS DESPESAS DA CASA! EU NÃO SOU MOLEQUE COMO VOCÊ DISSE NÃO! EU TENHO CARTEIRA DE MOTORISTA (disse isso abrindo a carteira e colocando "entre o foco e o vértice" do seu olho)! NÃO SOU FILINHO DE PAPAI NÃO, RAPAZ!
Ele disse assim: o Dirceu do DETRAN...
Antes dele terminar eu disse: pra começar o nome dele é ******, ele é pai do ***** que é meu amigo e ele não dá autorização pra ninguém ficar mandando nos motoristas não! A rua é pública, meu amigo! (nisso eu já tava puto!)
O policial concordou comigo, repetindo quase tudo que eu disse.
O cara pediu desculpas e eu falei que não era questão de pedir desculpas, que ele não tinha o direito de falar assim com ninguém, e que nenhum turista tratado dessa maneira volta pra essa merda de cidade, isso por causa de gente como ele.
Em resumo, gritei com o "flanelista" demonstrando toda minha indignação no modo como ele procedeu ao me abordar, sendo que sempre que passava algum grupo de pessoas perto olhando a cena eu falava mais alto ainda, pra todo mundo ouvir e tomar cuidado com gente desse tipo.
O policial seguiu seu rumo e eu fui comprar chocolate, onde fomos pessimamente atendidos, onde a moça do caixa desligou a maquininha de passar cartão de crédito, perdendo aproximadamente uns R$ 50,00 que as meninas iriam gastar só de chocolate.
É, queridos leitores, nossa cidade é muito bonita, muito boa de se morar, mas em algumas barracas de praia, no verão em especial, somos obrigados a pagar R$ 2,00 numa água de côco quente, quando normalmente pagávamos R$ 1,00. Somos forçados a pagar R$ 5,00 por 3 queijos daqueles que eles vendem nas praias quando pagávamos R$ 1,00 por cada, de tamanho dobrado (sendo que no primeiro relato, paguei R$ 1,70 e neste último o R$ 1,00 mesmo por cada). O péssimo atendimento nos estabelecimentos é outra marca registrada da nossa cidade. Mas a principal marca que nos deixa pensar sete vezes antes de nos sentir bem morando aqui é a coação praticada pelos "flanelistas", que é profissão, isenta de impostos e cujo salário é diretamente proporcional ao medo causado no patrão ao entrar no carro e receber alguns socos no vidro pedindo "BOTA UM TROCADO AÍ, BARÃO!"
Traduções:
Flanelista: geralmente pessoa mal encarada que ao ver você saindo de dentro de um carro num estacionamento público já vem gritando: PODE DEIXAR QUE EU TOU DE OLHO! E ao ver você entrando no carro pra ir embora, dá socos no vidro do carro e pede pra "botar um trocado". Falanelismo é a profissão do flanelista.
Barão: gíria baiana que assemelha-se a "amigo", "meu patrão", "brother".
Agora: gíria baiana que assemelha-se ao "era só o que faltava".
Ó pá isso: olha pra isso.
CNTP's: condições nomais de temperatura e pressão, ou seja, se eu estivesse tranquilo.
Curvado: ido embora.
Cobrar comédia: tirar satisfação.
Filhadaputisse: coisa de filho da puta.
Walter: meu irmão que aumenta um pouco as histórias que ele conta.
Sim ou não?: gíria mais usada entre os membros do GEEF (
www.geefisica.com).
Entre o foco e o vértice: objeto tão perto do olho que se o mesmo fosse um espelho esférico côncavo, a imagem formada passaria a ser virtual, direita e maior do que o objeto (coisas de físico).
Bota um trocado aí, barão: me dá dinheiro logo, cara, antes que eu fique puto!