29.1.07

Flanelismo é coação!

"As palavras entre aspas serão traduzidas no final do texto."

Estava eu levando para o centro da cidade a minha namorada com sua prima e duas amigas (que vieram a Ilhéus fazer vestibular) para comprar os tão famosos chocolates de Ilhéus quando resolvi parar o carro ao lado do meio fio. Estacionei na maior tranquilidade (após fazer uma sequência de zig-zags até que o carro ficou no lugar certo) e ao descer do carro um "flanelista" chegou na maior das ignorâncias dizendo: CHEGA O CARRO MAIS PRA FRENTE AÍ, "BARÃO"! (sendo que essas letras maiúsculas denotam o alto tom da voz do meliante).
Eu com toda a paciência que me é peculiar (sem ironia!) falei ao mesmo: aí tá bom!
Ele respondeu: CHEGA MAIS PRA FRENTE, "BARÃO"! QUEM MANDA AQUI SOU EU! "AGORA"... MOLEQUE TIRANDO ONDA. "Ó PÁ ISSO"... (falando com três pessoas encostadas num carro próximo).
Tornei a dizer que lá estava bom e o dito cujo com toda sua falta de simpatia do mundo veio dizendo: MULEQUE TIRANDO ONDA... VAI MAIS PRA FRENTE! SE QUISER CHAMA O GUARDA! EU TRABALHO AQUI HÁ MAIS DE VINTE ANOS E VOCÊ VEM QUERENDO MANDAR AQUI.
Minha namorada pediu para que eu entrasse no carro e fosse embora, pois ele poderia arranhar o carro dela...
Nas minhas "CNTP's", eu teria "curvado" sem arrumar confusão, mas por ironia do destino, enquanto me caminhava para a direção da Catedral, um policial atravessa a rua na minha frente. Parei o carro, buzinei e chamei-o, ralatando o acontecido. O guarda pediu para que eu estacionasse o carro e fosse lá com ele "cobrar comédia" (essa gíria baiana fica por minha conta, o guarda não disse isso).
Pedi para que as meninas ficassem pra trás enquanto eu iria lá com o policial, o que foi desobedecido de prontidão, pois meu estado de alteração e inddignação com aquela "filhadaputisse" era visível.
Assim que o meliante me viu ao lado do policial, seus batimentos cardíacos de fizeram ouvir à distância (alopração do cacete... essa foi digna do Walter). Assim que ele me olhou, falei assim: e agora? Tá aqui o policial... você não mandou chamar o guarda!? Tá aqui ele agora... pode falar que você manda aqui!
O cidadão (sim ou não?) ficou branco! No que respondeu: não, seu guarda, a gente é responsável por manter a ordem aqui no trânsito (obs.: essa não é a função do guarda? Putz... será que o meliante era policial também? Agora já era!).
O policial disse a ele que ele era errado de estar trabalhando no "flanelismo" (eu que inventei essa palavra, o guarda não falou isso também) e que no meio dele tinha muito bandido.
Ele disse que era pai de família, que tinha família pra cuidar, no que eu em toda minha raiva daquela situação respondi: EU TAMBÉM TENHO FAMÍLIA, TRABALHO E AJUDO NAS DESPESAS DA CASA! EU NÃO SOU MOLEQUE COMO VOCÊ DISSE NÃO! EU TENHO CARTEIRA DE MOTORISTA (disse isso abrindo a carteira e colocando "entre o foco e o vértice" do seu olho)! NÃO SOU FILINHO DE PAPAI NÃO, RAPAZ!
Ele disse assim: o Dirceu do DETRAN...
Antes dele terminar eu disse: pra começar o nome dele é ******, ele é pai do ***** que é meu amigo e ele não dá autorização pra ninguém ficar mandando nos motoristas não! A rua é pública, meu amigo! (nisso eu já tava puto!)
O policial concordou comigo, repetindo quase tudo que eu disse.
O cara pediu desculpas e eu falei que não era questão de pedir desculpas, que ele não tinha o direito de falar assim com ninguém, e que nenhum turista tratado dessa maneira volta pra essa merda de cidade, isso por causa de gente como ele.
Em resumo, gritei com o "flanelista" demonstrando toda minha indignação no modo como ele procedeu ao me abordar, sendo que sempre que passava algum grupo de pessoas perto olhando a cena eu falava mais alto ainda, pra todo mundo ouvir e tomar cuidado com gente desse tipo.
O policial seguiu seu rumo e eu fui comprar chocolate, onde fomos pessimamente atendidos, onde a moça do caixa desligou a maquininha de passar cartão de crédito, perdendo aproximadamente uns R$ 50,00 que as meninas iriam gastar só de chocolate.

É, queridos leitores, nossa cidade é muito bonita, muito boa de se morar, mas em algumas barracas de praia, no verão em especial, somos obrigados a pagar R$ 2,00 numa água de côco quente, quando normalmente pagávamos R$ 1,00. Somos forçados a pagar R$ 5,00 por 3 queijos daqueles que eles vendem nas praias quando pagávamos R$ 1,00 por cada, de tamanho dobrado (sendo que no primeiro relato, paguei R$ 1,70 e neste último o R$ 1,00 mesmo por cada). O péssimo atendimento nos estabelecimentos é outra marca registrada da nossa cidade. Mas a principal marca que nos deixa pensar sete vezes antes de nos sentir bem morando aqui é a coação praticada pelos "flanelistas", que é profissão, isenta de impostos e cujo salário é diretamente proporcional ao medo causado no patrão ao entrar no carro e receber alguns socos no vidro pedindo "BOTA UM TROCADO AÍ, BARÃO!"

Traduções:

Flanelista: geralmente pessoa mal encarada que ao ver você saindo de dentro de um carro num estacionamento público já vem gritando: PODE DEIXAR QUE EU TOU DE OLHO! E ao ver você entrando no carro pra ir embora, dá socos no vidro do carro e pede pra "botar um trocado". Falanelismo é a profissão do flanelista.
Barão: gíria baiana que assemelha-se a "amigo", "meu patrão", "brother".
Agora: gíria baiana que assemelha-se ao "era só o que faltava".
Ó pá isso: olha pra isso.
CNTP's: condições nomais de temperatura e pressão, ou seja, se eu estivesse tranquilo.
Curvado: ido embora.
Cobrar comédia: tirar satisfação.
Filhadaputisse: coisa de filho da puta.
Walter: meu irmão que aumenta um pouco as histórias que ele conta.
Sim ou não?: gíria mais usada entre os membros do GEEF (www.geefisica.com).
Entre o foco e o vértice: objeto tão perto do olho que se o mesmo fosse um espelho esférico côncavo, a imagem formada passaria a ser virtual, direita e maior do que o objeto (coisas de físico).
Bota um trocado aí, barão: me dá dinheiro logo, cara, antes que eu fique puto!

8 comentários:

Anônimo disse...

Contrato fechado.

Esse fundo preto e letras brancas me deixam zureta.
vc ta escrevendo bem pra caramba hein físico.

Acho que seu curso é jornalismo disfarçado de físicalismo.

Anônimo disse...

eu só acredito em 20% do que vc disse ai!
hauihauihauihauiahuiahau!!!
falooooooooooooooow seu mala!

Walter Parente disse...

mas esse menino eh muiiiito babaquinha memso... quem tah querendo falar com vc eh o franelhinha uahuahuhauhuaw... cuidado com os pneumaticos do seu carro nao sacana ahuuahuhauhw... bjunda

Unknown disse...

fala sakanao, rpz, o seu blog ta uma merda, mais so nao esta pior pq eu nao li nada iauehaeuhiaeuhaeuhaeuaehae

Unknown disse...

fala sakanao, olha eu aki na area, hehehehehe

Anônimo disse...

Rapáááá... vc escreve pra carai...
tah ligado q eu nao li td, neh? Sou mais ouvir a storia pq rola efeitos sonoros e interpretação das cenas... fica muito mais emocionante... uhauhauha...

Flw viadinho!!!

Anônimo disse...

Coloca mais textos!!!!!leio aos poucos, quem sabe vc chega num livro capa grossa pq esse já é um fino

Adriano Burity disse...

Li hj, em 2014, 10 anos depois, e a cidade continua a mesma coisa no que se refere a flanelismo.